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Queda da Cloudflare em 18/11/2025: quando uma peça "invisível" derruba parte da internet

Na manhã desta terça-feira, 18 de novembro de 2025, uma falha na Cloudflare — empresa que atua como infraestrutura para cerca de 20% do tráfego web global — causou instabilidade em uma parte significativa da internet mundial. Plataformas como X (antigo Twitter), ChatGPT, Canva, serviços de jogos online e diversos sites corporativos apresentaram erros 500, lentidão ou ficaram simplesmente inacessíveis.

Embora a maior parte dos serviços já esteja sendo normalizada, o episódio teve reflexos diretos em rotinas críticas de empresas, incluindo emissão de documentos fiscais eletrônicos e integrações com ambientes governamentais no Brasil e no Paraguai.


O que é a Cloudflare e por que ela é tão importante

A Cloudflare é uma empresa de infraestrutura de internet que oferece:

  • CDN (Content Delivery Network), acelerando o carregamento de sites;
  • DNS gerenciado, responsável por traduzir nomes de domínio (como exemplo.com) em endereços IP;
  • Proxy reverso e proteção contra ataques (WAF, mitigação de DDoS, etc.);
  • Serviços de segurança e performance para aplicações web.

Na prática, milhões de sites e APIs no mundo não ficam "expostos diretamente" na internet: o usuário fala com a Cloudflare, e a Cloudflare repassa o tráfego para o servidor de origem. Quando essa camada intermediária tem problema, o efeito é imediato: para o usuário, parece que o site inteiro caiu.


O que aconteceu hoje com a Cloudflare

De acordo com o status oficial da empresa, a Cloudflare registrou na manhã de hoje um "internal service degradation" em sua rede global, com impacto em múltiplos serviços e aumento significativo de erros e latência.

Fontes de imprensa internacional relatam que:

  • O incidente começou por volta de 11h48 UTC (8h48 no horário de Brasília), com degradação interna de serviços;
  • Houve erros 500 generalizados e falhas no painel e na API da Cloudflare;
  • A empresa atribuiu o problema a um pico de tráfego incomum, que desencadeou falhas em componentes da sua infraestrutura;
  • Por volta de 14h42 UTC (11h42 em Brasília), a Cloudflare informou que um "fix foi implementado" e que o incidente estava, do ponto de vista deles, sob controle, embora ainda houvesse monitoramento por possíveis efeitos residuais.

Ao longo dessas horas, portais de notícias, universidades, plataformas de criptomoedas, serviços educacionais (como Blackboard) e inúmeras aplicações B2B reportaram indisponibilidade ligada diretamente ao incidente da Cloudflare.


Como isso se traduz na prática: o que o usuário viu

Do ponto de vista do usuário final e das equipes de TI, os sintomas mais comuns foram:

  • Páginas exibindo "Error 500" ou mensagens de erro genéricas ao carregar sites e sistemas web;
  • Dificuldade para autenticar ou acessar painéis administrativos;
  • APIs retornando erro ou "time out" em integrações máquina-a-máquina;
  • Ferramentas de monitoramento (como o próprio Downdetector) também instáveis, justamente por dependerem da Cloudflare.

Para quem estava em operação logística, muitas vezes a percepção foi simples:

"O sistema não abre" ou "o envio para o serviço externo está falhando".

Em vários casos, o problema não estava na internet local da empresa nem nos servidores do ERP, mas sim na camada intermediária que faz a ponte entre esses sistemas e o mundo externo.


Reflexos no mundo fiscal brasileiro: SEFAZ e emissão de documentos

Gateways fiscais atingidos pela Cloudflare

No ecossistema fiscal brasileiro, muitas empresas não se conectam diretamente à SEFAZ: utilizam gateways fiscais em nuvem, que se integram aos webservices oficiais e oferecem APIs simplificadas para NF-e, NFC-e, CT-e, MDF-e, GNRE e distribuição de documentos fiscais.

Um exemplo concreto hoje foi a NFE.io, que publicou em sua página de status: "Nossas aplicações estão fora do ar devido a uma instabilidade nos servidores da Cloudflare, que estão retornando erro 500."

No mesmo comunicado, a empresa informou que o incidente afetava diretamente:

  • Processamento de NF-e (SEFAZ)
  • Processamento de NFC-e (SEFAZ)
  • Processamento de CT-e
  • Processamento de GNRE
  • Distribuição DF-e (NF-e e CT-e)

Ou seja, não necessariamente o ambiente da SEFAZ em si estava fora do ar, mas o caminho utilizado por diversos ERPs para chegar até ele — via gateway fiscal hospedado atrás da Cloudflare — ficou temporariamente indisponível.

Na prática, isso pode ter resultado em:

  • Atrasos na autorização de NF-e de venda e transferência;
  • Impossibilidade momentânea de emissão de CT-e e MDF-e, com impacto na liberação de veículos;
  • Filas de documentos aguardando retorno de autorização ou distribuição.

Percepção nas operações

Para empresas de transporte e logística, o efeito sentido foi semelhante a uma "queda da SEFAZ":

  • Motoristas aguardando a emissão de MDF-e para poder sair com a carga;
  • Conferência de documentos atrasada em armazéns e filiais;
  • Dúvidas sobre se o problema era do ERP, do servidor local ou da internet.

Mas olhando tecnicamente, o ponto central é: a cadeia de emissão fiscal é composta por vários elos, e hoje o elo mais frágil durante algumas horas foi a camada Cloudflare sobre a qual muitos gateways e serviços fiscais estão construídos.


Impactos potenciais em averbação eletrônica de cargas

A averbação eletrônica de cargas — processo pelo qual os embarques são informados às seguradoras para garantir cobertura — também depende de:

  • Portais web e APIs fornecidos por seguradoras e corretoras;
  • Infraestrutura de hospedagem em nuvem, muitas vezes com uso de CDN, DNS gerenciado e WAF;
  • Integrações em tempo real com ERPs e TMS.

Embora, até o momento, não haja comunicados públicos específicos ligando diretamente um portal de averbação X ou Y à falha da Cloudflare, muitos desses portais utilizam arquitetura semelhante à dos gateways fiscais: aplicações web e APIs expostas à internet por meio de provedores como a própria Cloudflare.

Dessa forma, é plausível que:

  • Algumas empresas tenham enfrentado erros intermitentes ao tentar averbar embarques durante a janela do incidente;
  • Integrações de averbação via API tenham retornado erros HTTP típicos de falha na borda (500, 502, 504), apesar de os sistemas internos estarem operacionais.

Quando isso acontece, o risco percebido na operação é:

  • Atrasar o embarque até a confirmação da averbação;
  • Ou, em cenários mais críticos, ter veículo em trânsito enquanto se aguarda o restabelecimento completo da integração.

E o SIFEN no Paraguai?

No Paraguai, o SIFEN (Sistema de Facturación Electrónica Nacional) cumpre papel similar ao das notas fiscais eletrônicas no Brasil, com um ecossistema de:

  • Provedores de software que integram diretamente aos webservices do SIFEN;
  • Soluções web para gestão de documentos eletrônicos;
  • Ferramentas de visualização e controle de XML.

Algumas aplicações relacionadas ao SIFEN — como visualizadores e sistemas auxiliares — são explicitamente hospedadas em Cloudflare Pages, usando tecnologias modernas como React e Vite.

Isso significa que, mesmo que o núcleo governamental do SIFEN não tenha sido afetado, usuários que dependem de:

  • Portais de terceiros para gerenciar ou visualizar seus documentos SIFEN;
  • Aplicações web intermediárias hospedadas na infraestrutura da Cloudflare;

podem ter enfrentado dificuldades de acesso, erros intermitentes ou lentidão durante a janela do incidente global.

Para grupos que operam simultaneamente Brasil–Paraguai, esse tipo de instabilidade tem um efeito combinado:

  • Fila de documentos a autorizar em SEFAZ via gateways fiscais;
  • Eventuais problemas de acesso ou uso de ferramentas ligadas ao SIFEN;
  • Necessidade posterior de reconciliação de tudo que ficou "parado na fila" durante o pico da falha.

O que sabemos até agora e próximos passos

Até o momento da publicação deste texto, o cenário é o seguinte:

  • A Cloudflare informou que identificou o problema, aplicou um fix e está monitorando a estabilidade dos serviços globalmente.
  • Veículos internacionais confirmam que os maiores impactos ocorreram entre o fim da manhã e o início da tarde (horário de Brasília), com queda acentuada nos relatos de falhas após a correção inicial.
  • Provedores de gateways fiscais já começaram a registrar em suas páginas de status a normalização gradual de processamento de documentos.

Do lado da TranspNet / SmartGT, estamos:

  • Acompanhando os comunicados oficiais da Cloudflare e dos principais provedores fiscais utilizados por nossos clientes;
  • Monitorando os efeitos em cadeias críticas como emissão de NF-e/CT-e/MDF-e, integrações com SEFAZ e uso de ferramentas relacionadas ao SIFEN;
  • Avaliando, junto às equipes técnicas, quais medidas adicionais de contingência e boas práticas serão recomendadas para minimizar impactos em eventuais incidentes semelhantes no futuro.

Assim que houver mais clareza sobre a causa raiz detalhada divulgada pela Cloudflare e seus desdobramentos, iremos compartilhar análises complementares e orientações específicas com nossos clientes, sempre com o objetivo de garantir o máximo de continuidade operacional nas rotinas fiscais e logísticas.

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